sexta-feira, 30 de setembro de 2011

muito prazer

Como pode?
Melhor: como pude?
A pouco falei de tambores
e me esqueci do circo.
E rufam os tambores,
vai começar o espetáculo!
Vem palhaço,
vem macaco,
calhambeque,
ou carroça puxada a jegue.
Luzes,
cores,
máscaras ... disfarces.
Se disfarça ai,
faz de conta que é outro ser,
outro pensar,
querer.
Foi sim,
foi por querer,
dimais,
dimenos ... mais o menos.
Adição,
subtração,
divisão,
multiplicação ... matemática,
números;
um,
II,
3 ...
quatro, cinco, mil, queremos;
queremos qualquer coisa,
que satisfaça,
que de prazer,
proporcione poder,
poder simplesmente fazer,
satisfazer,
gerar prazer ... muito prazer!

tambores

Os dedos ...
nervosos,
ansiosos ...
batem na mesa,
feitos tambores ...
em guerra,
em festa,
em reza.
Versa;
versa pelos becos de tuas memórias,
pelas rimas escondidas num canto do cérebro,
poemas empoeirados e esquecidos na memória já lenta;
o que pensas?
Ser fácil colar palavras?
Mas lhes digo,
também nada é difícil,
nada mesmo,
acredito.
Agora sou todo ouvidos,
quero ouvir o que tens a dizer,
vamos me diga!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

galera

Folguedo,
me dou ao luxo de sair em festa,
pelas ruas,
pelo quintal ... em polvorosa,
deixando todos fervilhando,
como troça,
como troça troçando pelas ladeiras tortuosas,
como bola ropendo o ar e indo de encontro às redes;
gol!
É gol,
gol do Brasil.
Que bom!
E segue o corso,
em curso,
em rota;
de colisão ... folião.
Carnaval fora de época,
na data certa,
na hora correta ... corneta;
toca ai a corneta,
bumba ai no bumbo,
chacoalha o esqueleto.
Canta,
canta hino;
berra,
se descabela ... galera.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

pitéu

Solitário,
velha fera solitária;
a espreita,
de butuca,
a espera da presa ... um ataque,
já não mais tão certeiro,
vai mais no jeito,
e pimba!
Já era virou janta ou petisco,
vinho ou cerveja?
Talvez algo mais caliente?
Destilado?
Fermentado?
Desidratado?
Qual o melhor acompanhamento?
Vem ca!
Vai se voce!
Voce mesma,
é melhor ir pensando besteira,
bem besteirenta,
por que assim vai ser.
Tem que ser assim,
atrevimento,
sinal a dentro,
passa e tudo vai levando ... levantando,
saia,
blusa,
os pelos de tua nuca,
feito fera;
feito fera quase babo,
fico abobado,
desnorteado;
e vou buscando mais um gemido.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

nem sempre.

Realidades distintas,
lidamos com várias,
durante o dia.
Ouvimos coisas,
enxergamos muitas outras,
pensamos umas tantas ...
e lá pelas tantas do dia,
fui ter uma conversa,
conversa de pé de oreia,
com voce.
Sim,
fui até ai,
onde voce esta,
e nem viste,
nem me viste passar,
de camiseta branca,
bem do seu lado;
era eu,
fui eu quem te assoprei ao ouvido,
a resposta de tua pergunta;
fui eu quem tropecei,
na calçada,
na barra de uma saia,
na pedra abandonada ... fui eu.
Apenas mais uma,
mais uma,
realidade distinta,
diferente,
de verdade?
Nem sempre.

e voce?

É a natureza,
pelo menos a minha,
minha natureza;
forma de ser,
jeito de pensar,
tipo de caminhar ... sem me importar,
nem próximo do que deveria.
Protesto,
rebato,
discordo.
Não sou assim não!
De jeito maneira.
Sou melhor,
mais bonito,
mais inteligente ... ser que pensa,
pensa que pode,
pensa que fode,
pensa em recordes.
Vem,
vem disputar comigo,
uma prova,
uma partida,
uma vida;
sim,
aposto a vida,
jogo na mesa,
pago pra ver
e voce?
O que tem a oferecer?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

nothing more

Braço ligeiro;
mas nem tanto,
deixou escapulir a porta,
xiiii,
bateu!
Bem alto, bateu.
Acordou meio mundo,
fez barulho,
incomodou.
Não gosto mesmo de barulho,
som alto,
latido compassado,
escapamento aberto ... avesso.
Foram muitos anos de barulho,
acho até que fiquei meio surdo,
tem coisa que não escuto.
Mas é difícil saber,
afinal tem coisa que não escuto,
não escuto de propósito,
meio assim que desligo,
vou pra outro mundo,
me ausento ... bem longe.
Então deixo de escutar,
não intencionalmente,
mas também não inocente ... propositalmente,
não posso negar,
tentei,
mas não posso,
é de propósito sim,
desligo,
um start e fui,
feito magia,
algo fora do normal,
nada de formal ... nada mais.

sábado, 24 de setembro de 2011

briga


Musica sertaneja,

Batendo na cabeça,

Já chegaaaa!

Desliga a radiola,

Tira o cd,

O DVD ... basta.

Quero musica para meus ouvidos,

Para meus sentidos,

Delírios.

Chora,

Chora na melodia,

Chora em plena luz do dia,

Desata em lágrimas,

Desaba em água ... salgada,

Água do corpo,

Fluido ... suco digestivo ... saliva.

Cuspe,

Cospe na mão e chama pra briga,

Duvido que você passa desta risca,

Linha no chão,

Delimitando espaços,

Separando o campo ... de batalha,

Se vão os oponentes,

Cada um em seu canto,

Mostrando os dentes,

Beligerantes.

Um tapa na cara,

Uma joelhada no saco,

Dedo no olho,

Dentada ... pedrada,

No telhado,

Na vidraça,

No óculos ... quebrou,

A lente,

O vidro,

O vaso e também a jarra ... que farra.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

displicentes

Mundo de faz de conta,
das aparências,
feito imagem maquiada,
preparada para a foto,
finalizada no photoshop.
Deixa ai tudo mais bonito,
mais feliz,
mais produzido;
um retoque aqui,
escondendo algo por ali,
refazendo traços ... desenho,
em preto & branco,
tira de jornal,
piada de mural.
Feito verso;
feito verso estendido num varal,
braços abertos,
pernas esticadas,
boca entreaberta ... sai,
sai palavra meio que atravessada,
sai palavra feito arroto,
sai fazendo efeito ... desviado,
esperado.
Cidade cenográfica,
paredes falsas,
dinheiro de brincadeira,
pessoas não verdadeiras ... até mesmo falsas, diria.
Personagens,
meros personagens,
figurantes,
passantes ... vão e vem,
não sabem, não veem;
displicentes.

arredio

Vieram assim:
algumas palavras,
palavras soltas no vento,
voando,
planando ... invadindo,
invadindo mentes,
menos desavisadas,
menos sensatas.
Imagens,
cores,
sons ... invasões;
exércitos,
tropas,
máquinas ... destroem,
removem,
modificam.
Muda,
muda de planta,
de local,
de estado;
de líquido a sólido,
daqui prá lá ... lá longe,
se quiser,
se quiser é o que tem.
Vai que ta bom,
vai que não tão,
todos não dá pra agradar,
não dá mesmo,
nem tento.
Por assim dizer fico na minha,
só observado,
meditando ... caminhando,
em círculos,
feito bicho,
arredio.